Mede cerca de 56 cm de comprimento, envergadura de até 123 cm, peso médio de 834 g (macho) e 953 g (fêmea) (Márquez et al. 2005). Adulto apresenta plumagem geral que varia do marrom ao preto, cabeça branca com um penacho preto, pescoço branco listrado de preto, tarsos amarelos. Em voo, assemelha-se a um urubu mas é reconhecível por duas manchas de cor clara na ponta das asas, além da cabeça diferenciada. O jovem diferencia-se pelo peito sem o padrão de listras e o branco do peito e cabeça, essas áreas são claras, com riscas longitudinais mais escuras (Antas, 2005; Sick 1997).
Alimentação:Onívoro, é bastante oportunista, aproveita de todas as fontes disponíveis, ou seja, "come de tudo". Alimenta-se de invertebrados que são capturados em suas caminhadas no solo, peixes morrendo em poças, lagartos, cobras e caranguejos, além de capturar animais moribundos ou atropelados nas estradas. Saqueia ninhos de outras aves, inclusive aves grandes como os ninhos de tuiuiú (Jabiru mycteria), e às vezes, fica nas proximidades dos ninhais para comer restos de comida caídos no chão, ovos ou filhotes deixados sem a presença dos pais (Antas 2005; Vargas 2007). Ocasionalmente consome a polpa de alguns frutos, como o coco acuri (Antas 2005). Pode se aproximar de gado, capivaras e outros mamíferos, para retirar carrapatos, bernes e outros parasitas (obs. pess. Willian Menq).
Reprodução:Constrói o ninho com galhos e ramos com estrutura rasa de gravetos e pedaços de madeira ou usa ninhos abandonados. Coloca de 2 a 3 ovos, mais raramente 4, de colorido que varia entre branco, vermelho-esbranquiçado, camurça ou vináceo, com manchas vermelho-pardas. Os ovos medem 56-61 x 44-47 mm e são chocados pelo casal durante 28 dias, com filhote voando no terceiro mês de vida. Normalmente os pais criam somente um filhote por temporada (Antas, 2005; Sick, 1997).
Distribuição Geográfica:Possui distribuição neotropical, ocorrendo desde o centro do Peru, Sul da Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai até a Terra do Fogo. No Brasil, ocorre ao sul do rio Amazonas até o Rio Grande do Sul (Hofling, 1993; Dove e Banks, 1999).
Hábitos/Informações Gerais:Habita campos abertos, savanas, borda de matas, praias e áreas urbanas (Almeida et al, 2009; Sick 1997). Geralmente busca seu alimento no solo ou pousado a baixa altura, onde passa maior parte do tempo, seja no meio da vegetação, margens de rios ou praias. Adaptou-se à presença humana, comendo restos de comida no lixo das casas ou vísceras de peixes nos acampamentos de pescadores (Antas, 2005; Sick 1997). Também é visto com frequência caminhando sobre a plantação recém colhida de soja a procura de invertebrados, e animais afugentados pelas colheitadeiras. Durante a noite ou nas horas mais quentes do dia, costuma ficar pousado nos galhos mais altos, sob a copa de árvores isoladas ou nas matas ribeirinhas. Para avisar os outros carcarás de seu território ou comunicação entre o casal, possui um chamado que origina o seu nome comum, "caracará". Nesse chamado, dobra o pescoço e mantém a cabeça sobre as costas, enquanto emite o som (algumas espécies de aves de rapina tem o mesmo hábito de dobrar o pescoço para trás quando emitem som). Voa com batidas rápidas de asas ou aproveitando as correntes de ar ascendente (Antas, 2005; Sick 1997).